O que os olavistas querem do Ministério da Educação

A Pública analisou mais de 2.200 tuítes de 54 simpatizantes de Olavo de Carvalho para entender como buscam influenciar a agenda da educação no governo Bolsonaro

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7 de maio de 2019
Texto: Ethel Rudnitzki, Rafael Oliveira | Infográficos: Bruno Fonseca

“Escola, no Brasil, tem servido somente para fornecer diariamente alimento e abrigo a crianças de famílias pobres ou miseráveis que, infelizmente, não podem dar a elas um sustento digno. Apenas isto. Melhor é que os próprios pais, grande parte deles analfabetos funcionais, eduquem, com amor, seus próprios filhos, do que deixar estes últimos, compulsoriamente, à mercê de um sistema educacional que já se provou totalmente imbecilizante”, tuitou o youtuber Bernardo P. Küster no dia 8 de abril deste ano, dia da nomeação do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

A thread – fio de postagens no Twitter – de Küster é apenas uma das muitas publicações de simpatizantes das ideias de Olavo de Carvalho com pitacos sobre a condução da educação no Brasil. O Ministério da Educação (MEC), um dos mais cobiçados pelo grupo, é comandado por Weintraub, aluno de Olavo de Carvalho. Seu antecessor, Ricardo Vélez Rodríguez, foi indicado pelo escritor. Além dos dois ministros, pelo menos nove olavistas ocupam ou ocuparam cargos na pasta.

Ao lado de assessores do ministério, membros de sites pró-governo e influenciadores digitais simpáticos a Olavo de Carvalho se engajaram nas pautas de educação no Twitter. Além de defender a nomeação de Vélez ao cargo – e depois pedir sua cabeça –, o grupo influenciou na exoneração de nomes ligados ao Exército, defendeu a retirada de Paulo Freire como patrono da educação e articulou a “Lava Jato da Educação” – iniciativa que pretende “investigar medidas adotadas em gestões anteriores”, mas que ainda não apresentou resultados.

“O Ministro Vélez acabou se voltando contra o grupo que trabalhou nas redes sociais pela sua ida ao ministério, que intercedeu por ele junto ao governo, que o defendeu na Internet, que organizou a Lava Jato da Educação e tem o maior interesse na sua execução, que são os Olavetes”, publicou Pedro Medeiros em 11 de março.

Agindo de maneira coordenada, os olavistas têm entre suas bandeiras o combate ao que chamam de “marxismo cultural”, a mudança na política de alfabetização nacional, a defesa do ensino domiciliar e até o fim do ministério.

A Pública monitorou todas as postagens que mencionavam o MEC ou educação de 54 perfis que se declaram alunos de Olavo de Carvalho ou que demonstraram recorrente apoio às opiniões do escritor.

Foram 986 tuítes publicados nos últimos seis meses – da eleição de Bolsonaro, em 28 de outubro de 2018, até 30 de abril deste ano – e, a partir deles, a Pública mapeou quais são as maiores demandas do grupo sobre o tema.

Também foram quantificadas as postagens que mencionavam Olavo de Carvalho para estabelecer a relação do professor com seus alunos e admiradores. Os 54 perfis analisados publicaram 1.298 tuítes mencionando o autoproclamado filósofo no período.

Cerca de 40% das contas monitoradas fazem parte de sites alternativos de apoio ao governo Bolsonaro, como os portais Terça Livre, Senso Incomum, Conexão Política, Reaçonaria, Renova Mídia e Brasil Paralelo. Outros são representantes de movimentos civis, como os fundadores do Movimento Brasil Conservador (MBC), Anderson Sandes, Henrique Olliveira, Maurício Costa e Rodrigo Moller; Bene Barbosa, do Movimento Viva Brasil; e Dom Lancellotti, do Gays Com Bolsonaro. Outros 21 perfis são apenas influenciadores no Twitter. Somados – desconsiderando seguidores em comum –, esses perfis são seguidos por 4,5 milhões de contas.

Olavistas no Twitter
As contas que mais mencionaram temáticas relacionadas ao MEC no período foram também aquelas que mais citaram o autoproclamado filósofo Olavo de Carvalho. Foram ao menos 986 tuítes sobre o MEC e 1.298 sobre Olavo.

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